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Formigas

Todas as formigas pertencem a uma única família, a Família Formicidae. Atualmente são conhecidas mais de 12 mil espécies de formigas, das quais 2 mil ocorrem no Brasil. Estão distribuídas em quase todos os habitats terrestres, onde contribuem para a estabilidade do ambiente.

Filo: Arthropoda

Classe: Insecta

 

Ordem: Hymenoptera

Descrição e biologia

O corpo de uma formiga é dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome. A diferença morfológica mais importante que separa as formigas dos outros insetos é a presença do pedicelo, uma região estreita que une o tórax ao abdome com aspecto de uma cintura quando vista de cima. O aparelho bucal é provido de um par de mandíbulas grande e forte. A cabeça possui um par de antenas em forma de cotovelo (geniculada) e um par de olhos compostos. Algumas espécies possuem, na parte posterior do abdome um ferrão, que é uma poderosa arma de defesa, ocasionando ferroadas dolorosas ao homem e outros animais. São insetos eussociais e as características desse comportamento são a sobreposição de gerações (várias gerações convivendo no mesmo ninho), o cuidado cooperativo com a prole e a divisão do trabalho em castas. Rainha (s): maiores indivíduos da colônia; responsáveis pela postura de ovos. Em uma colônia pode haver uma ou mais rainhas conforme
espécie. De uma forma geral são aladas, e perdem as asas após o vôo nupcial quando vão fundar novas colônias. As espécies de formigas urbanas aboliram o vôo nupcial e as rainhas não possuem asas, apenas os machos. Machos: alados e com função única e exclusivamente reprodutiva. Após o acasalamento morrem; Operárias: são fêmeas estéreis; não possuem asas; constituem a grande maioria dos indivíduos da colônia; desempenham as demais atividades da colônia. São onívoras, alimentando-se de uma diversa gama de alimentos, seja doce, salgado, óleos, outros animais ou vegetais e algumas espécies se alimentam de fungos. As colônias podem variar em tamanho e os ninhos podem ser construídos no chão (tanto superficial como subterrâneos), em cavidades de madeiras ou troncos ou mesmo no interior de residências em frestas de azulejos, batentes de portas, sob o piso, aparelhos domésticos e o mobiliário.

Ciclo de vida

O desenvolvimento é holometábolo (ovo, larva, pupa e adulto). A partir dos ovos nascem as larvas, que de acordo com a alimentação que recebem, podem se tornar operárias, soldados ou fêmeas férteis (rainhas). As larvas são esbranquiçadas e não possuem pernas, são alongadas e afiladas na região da cabeça. São completamente dependentes das operárias para a movimentação e alimentação. As larvas passam por vários estágios de desenvolvimento, denominado ínstares. O número de ínstares varia de acordo com a espécie. Quando totalmente desenvolvidas, transformam-se em pupas, fase intermediária entre o estágio larval e adulto. As pupas são dependentes das operárias somente para a locomoção, uma vez que
não se alimentam. A duração do ciclo desde ovo até adulto pode variar em torno de 35 – 45 dias. O tempo de vida também varia conforme a casta a que o inseto pertence e também à sua espécie, sendo que as operárias vivem cerca de 2 meses a 1 ano, as rainhas podem viver de 2-20 anos conforme espécie e os machos morrem logo após a cópula. Os machos provém de ovos não fecundados. Quando a rainha copula, ela recebe esperma suficiente para durar sua vida inteira, armazenando-o em um órgão especializado, a espermateca. Com relação aos ovos fecundados (operárias e rainhas), o que vai diferenciá-los é a alimentação.

Principais Espécies e Danos Causados

As formigas nas áreas urbanas depararam-se com ambientes propícios para a construção de seus ninhos. Nestes locais encontraram abrigos perfeitos com abundância de alimento e água. Causam bastante incômodo quando ocorrem em áreas de alimentação, podendo deteriorá-los e contaminá-los. Infestam e danificam aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos e percorrem todos os ambientes da casa, inclusive banheiros. Em hospitais, caminham sobre instrumentos médicos, UTI’s, centros cirúrgicos ou berçários, podendo carregar bactérias e fungos junto ao corpo. Além disso, podem ferroar de forma dolorosa e provocar reações alérgicas.

Principais Espécies

- Formigas Urbanas

Formiga fantasma – Tapinoma melanocephalum: As operárias são todas do mesmo tamanho (monomórficas) e pequenas, variando de 1,3 a 1,5 mm de comprimento. Apresentam cabeça e tórax escuros com cintura e abdome claros. Formam trilhas perfeitas em busca de alimentos. É encontrada no solo, madeiras em decomposição, partes de árvores doentes, e principalmente dentro das casas. As colônias são provavelmente formadas pela migração de uma ou mais rainhas acompanhadas das operárias. Não realiza vôo nupcial. Em residências, nidifica atrás de azulejos, batentes de portas e rodapés, sendo esses ninhos pouco estruturados, mudam-se de lugar frequentemente.
Formiga-louca – Paratrechina longicornis: Apresenta coloração marrom escura a preta e antenas bastante longas. Seu nome se dá ao hábito das operárias andarem rapidamente e em círculos. As colônias são pequenas com várias rainhas. Geralmente constroem seus ninhos fora das residências, no solo sob objetos, em material depositado no chão como madeira. Dentro das residências pode fazer os ninhos atrás de janelas e sobre forros de estuque. Alimenta-se de carnes, doces, frutas, verduras e até refrigerantes. É comum em hospitais e seu controle é muito difícil.
Formiga-do-faraó – Monomorium pharaonis: São monomórficas, com cores variando de amarelo ao marrom claro, medindo de 1,2 a 2,0 mm de comprimento. Esta formiga tem sido largamente espalhada pelo mundo através do transporte acidental e se tornou uma espécie importante principalmente nos centros urbanos. Seus ninhos limitam-se a ambientes domésticos, sendo um risco potencial para a saúde pública, especialmente quando ocorrem em hospitais, pois são vetores mecânicos de patógenos. As colônias possuem muitos indivíduos, podendo conter várias rainhas. A fundação de novas colônias ocorre principalmente por fragmentação. É uma das espécies mais difíceis de ser controlada, pois é altamente dominante sobre outras espécies. Consomem alimentos variados, preferencialmente ricos em gorduras e substâncias doces.
Formiga argentina – Linepithema humile: Sua coloração varia entre marrom claro ou escuro. As operárias são monomórficas. A antena não é mais longa que o corpo e as pernas são proporcionais. Faz seus ninhos próximos às fontes de alimento e água, como pias, vasos de plantas encanamentos, etc. O fato de expulsar as outras espécies de formigas do território onde estabelece seus ninhos favorece a dispersão, dificultando o controle. Alimenta-se de substâncias açucaradas, carnes, insetos mortos, sucos de frutas, etc.
Pequena fomiga-de-fogo – Wasmannia auropunctata: Operárias monomórficas, pequenas com 1,5 mm de comprimento. Sua coloração é marrom dourada e o ferrão é presente, mas raramente aparente. Geralmente nidifica no exterior das residências, em lugares desde muito secos até muito úmidos. As colônias contém muitos indivíduos e podem ter mais de uma rainha. Esta formiga ferroa dolorosamente e a dor pode durar várias horas. Em ambientes domésticos costuma infestar roupas, camas, berços e alimentos. Consome carnes e óleos.
Formigas lava-pés – Solenopsis spp.: São também chamadas de formigas de fogo. Sua coloração varia do marrou avermelhado ao preto brilhante. Apresenta tamanhos variados. Nidifica geralmente fora das residências e seus ninhos são facilmente identificados, pois apresentam um monte de terra solta que, se mexido, saem grande número de operárias que ferroam dolorosamente. Essas picadas causam bastante ardor, formando bolha no local atingido. Pode infestar aparelhos elétricos e cabines de eletricidade. No interior das residências, procura por migalhas de alimentos e é atraída por substâncias oleosas.
Formigas-carpinteiras – Camponotus spp.: Sua coloração pode variar do amarelo ao preto e apresentam tamanhos variados (polimórficas). O tórax quando observado de perfil é arredondado. Algumas espécies expelem ácido fórmico, um líquido com odor característico. Nidificam em cavidades no solo ou em árvores e, dentro de residências, podem ser encontradas atrás de batentes de janelas e portas, rodapés, assoalhos, fendas em paredes, dentro de gavetas e forros de madeira. Porém não se alimentam da madeira. Podem infestar aparelhos elétricos. Algumas espécies têm hábitos noturnos. Preferem substâncias adocicadas, mas podem se alimentar de carne.
Formiga cabeçuda – Pheidole megacephala: As operárias apresentam dois tamanhos, sendo que as maiores são os soldados, encarregados da proteção da colônia. Sua coloração varia entre vermelho-amarelado e marrom-avermelhado. Nidificam geralmente fora das residências e, são as primeiras a aparecerem em casas recém-construídas. Dentro de residências, geralmente aparecem nos rodapés. Seus ninhos podem ser localizados facilmente seguindo as trilhas das operárias. Alimentam-se de produtos ricos em proteínas e sucos de frutas.
Formigas acrobáticas – Crematogaster spp.: Podem apresentar coloração amarela. Marrom clara e marrom escura. São facilmente reconhecidas pelo seu abdome em formato de coração e tórax que ostenta um par de espinhos. Quando ameaçadas, levantarem seu abdome por cima do tórax em um ângulo quase reto, uma verdadeira acrobacia. Nidificam em ocos de árvores, montes de madeira, folhas de árvores no chão e no solo e, quando no interior de residências, em estruturas de madeira e cavidades em paredes de alvenaria.

Prevenção

  • Selar orifícios e frestas dentro das residências;
  • Manter os alimentos guardados em recipientes bem vedados e se possível dentro da geladeira;
  • Manter o ambiente livre de resíduos alimentares;
  • Depositar sachês de cravo-da-índia nos locais onde as formigas são indesejáveis;
  • Colocar fitas dupla face nos pés de mesas, bancadas ou até macas de hospitais;
  • Aplicar uma diluição de água e detergente (1:1) com o auxilio de uma seringa sem agulha nos buracos de onde se vê as formigas saindo, em áreas internas e de baixa infestação;
  • Descartar adequadamente o lixo

Método de Controle

Podem ser utilizados produtos em pó, iscas granuladas, gel, ou ainda inseticidas líquidos, que qual são aplicados diretamente no ninho ou pontos de passagem como: conduítes, rachaduras, armários, frestas, etc. Os ninhos poderão, conforme a espécie, ser destruídos mecanicamente. A utilização de produtos na forma aerossol fragmenta a colônia, aumentando a infestação após alguns dias. O conhecimento da espécie, assim como seu comportamento e hábitos alimentares são fundamentais para um controle efetivo. Assim como para outras espécies de pragas, faz-se necessário um monitoramento para identificar de forma exata o nível de infestação do local e a partir daí lançar mão de um produto químico específico para a ocasião.
A utilização do MIP é recomendada para melhores resultados.

- Formigas Cortadeiras

As formigas cortadeiras recebem esse nome, pois cortam as folhas das plantas que servem de substrato para o cultivo de fungos, que são sua fonte de alimento. São causadoras de danos à agricultura, sendo que a importância do seu estudo deve-se aos prejuízos causados às plantações, à vasta distribuição e ao controle difícil e oneroso. Em áreas urbanas porém, podem ocasionar danos em jardins residenciais e eventualmente invadir as casas.

Formigas saúvas – Atta spp.: Apresentam 3 pares de espinhos no tórax. As operárias apresentam vários tamanhos, sendo divididas em: jardineiras (menores e com função de triturar os pedaços de vegetais, colocando-os à disposição dos fungos); as cortadeiras (com tamanho médio e função de cortar e carregar o material vegetal para o formigueiro) e soldados (são as maiores com cabeça grande, têm como principal função proteger a colônia). No formigueiro há apenas uma rainha, chamada popularmente de içá ou tanajura, que é bem maior que o restante do formigueiro e, quando essa morre, o restante do formigueiro também morre em poucos meses. Os machos são conhecidos como bitus e morrem após o acasalamento. A reprodução se dá por meio de revoadas em dias quentes e chuvosos. Seus ninhos geralmente são facilmente visualizados. São formados por montes de terra solta, nos quais podem ser observados vários orifícios (olheiros), que dão acesso ao interior do ninho.
Formigas quenquéns – Acromyrmex spp.: Diferenciam-se das saúvas por possuírem 4 pares de espinhos no tórax. As operárias também apresentam tamanhos e cores variados. Neste gênero de cortadeiras, os machos não recebem nomes comuns e as fêmeas aladas são chamadas de rainhas. Os ninhos não são visualizados com facilidade, podendo ser cobertos por palha, terra e fragmentos de vegetais, alguns podem ter montes de terra solta, porém são bem menores que os das saúvas. A reprodução se dá por meio de revoadas.

Prevenção

Algumas providências podem ser tomadas para proteger as plantas do ataque de formigas cortadeiras, como por exemplo, o uso de um cone invertido, de qualquer material resistente (borracha, plástico ou metal) preso ao tronco da planta. Passa-se graxa na parte interna do cone impedindo assim a subida das formigas no vegetal. A crença de passar cal no tronco das árvores para impedir a subida de formigas e outros insetos é infundada, além de deixar o ambiente visualmente poluído. Deve-se ainda, realizar o plantio de plantas sabidamente não atraentes para as formigas cortadeiras, principalmente naquelas regiões onde estas espécies são muito abundantes. A preocupação com a utilização de plantas adequadas à região também é importante.

Método de Controle

Pode-se utilizar inseticidas em pó, iscas granuladas, gases, ou inseticidas termonebulizáveis. Os produtos granulados devem ser espalhados perto das plantas atacadas, nos seus pontos de passagens, ou perto de seus ninhos, nunca dentro dos olheiros. Os produtos na formulação gás, pó seco ou termonebulização só podem ser aplicados diretamente dentro de seus ninhos através de seus olheiros, isto com auxilio de um equipamento específico. Aconselha-se mesclar o controle, assim a deficiência de um é suprido pela eficiência do outro, não obstante todos eles requerem um monitoramento frequente e diversas aplicações para um controle eficiente.
Como controle mecânico, há a opção da retirada dos ninhos por escavação, retirando-se a panela de fungo e a rainha, porém só é eficaz para áreas pequenas.
A utilização do MIP é recomendada para melhores resultados.